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Layout por:
Coveiro ¤X¤
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De onde vem minha paixão por raposas Isso é uma história bastante antiga, que acabou se perdendo no tempo. Algumas vezes me perguntam e a primeira resposta que me vem a mente é: gosto por gostar, porque são lindas, sei lá... a verdade é essa, cada dia que passa eu sou mais apaixonada por elas. Representam tradicionalmente a esperteza (que pode fazer com que elas se saiam bem ou mal, como nas fábulas de Esopo), mas eu prefiro acreditar em algo mais longe do que isso. Elas são para mim a transição entre o cão e o gato. Isso mesmo. Apesar de estarem na mesma família que os cães (a família Canidae) elas sustentam a leveza do andar e o ar esnobe dos gatos. São cruéis como os cães quando caçam mas são suaves como os gatos quando descansam. A própria cara delas, uma mistura entre estes dois animais. As orelhas sempre atentas de um gato, com muitos bigodes, com os olhos grandes e redondos dos cães, tendo a frente um focinho tão parecido com o totó que temos em casa. Sei lá. E assim como o meu amigo X, acredito que os animais exercem uma certa influência sobre a gente. Eu por exemplo, adoro cães, além das raposas. E muitas vezes ajo como eles, quem me conhece sabe muito bem disso. Mas às vezes, quando o cão que existe em mim se machuca, a raposa surge, implacável. E essa sim, é vingativa e impiedosa. Mas raras são as vezes que ela aparece, somente quando as coisas ficam feias o suficiente pra que o alegre totó se sinta terrivelmente magoado. Na maior parte do tempo, engulo sapos, cururus enormes. Pisadas na bola são admissíveis, pisadas no calo são perigosas e mentiras são intoleráveis. E assim eu levo a vida.
Escrito por raposa vira lata às 03h26 Lembranças do longo caminho até o outro lado do mundo - bastidores 5
Algumas semanas depois o resultado saiu, eu tinha passado e tinha que fazer uma bateria louca de exames. Exame de tudo, e eu sem dinheiro. Tinha duas semanas pra entregar a papelada. Fora isso, ainda não tinha carta de aceite do orientador, eu estava levando meu contato com ele com o maior cuidado do mundo. Os exames foram desde raio x do tórax até exame de vista. Consegui a maior parte dos exames com a ajuda da minha amiga Sandra, que conhece muita gente no hospital das clínicas da UFPE. Alguns eu tive que fazer fora e o aval final foi feito por um clínico muito maluco. Nesse meio tempo, chegou a hora de coletar os dados pra tese do mestrado em Biologia Animal. Fui pra Petrolina, ainda com a incerteza se ia receber bolsa ou não. Chegando lá, meu orientador mandou que eu me virasse pra encontrar uma área que se encaixasse nos planos do projeto e que me virasse pra arrumar transporte pra essa área. Aconteceu que encontrei a área, numa região longe pra burro da cidade e localizada numa área famosa por ter assaltos. Impossível. Mudamos o projeto todo de novo, uma loucura. Orientadores pensam que a gente pode fazer qualquer coisa que eles inventam. Incrível, como se a gente fosse fada madrinha, capaz de balançar a varinha de condão e zás, aqui estão os dados que vc quer! Pois é, penei. Mas aconteceu uma coisa maravilhosa, parecia que tudo ia dar certinho mesmo. Minha mãe é professora de japonês há muitos anos. A mãe de duas alunas trabalha vendendo produtos agrícolas e ela tem muitos amigos na Embrapa. Um dia minha mãe comentou isso comigo e disse que ia falar com ela pra ela me levar pra fazer uma visita na Embrapa, um dos meus sonhos. A Embrapa fica na zona rural de Petrolina, a 45 km da cidade. Fomos no dia seguinte, eu, ela e o filho, Neto, cara que eu conheço desde quando ele tinha uns 6 anos. A gente sempre jogava queimada junto, era um bom amigo. Hj em dia tá um homenzão, super simpático. Pois é, pra variar, paquei o maior mico de novo. Pensei que a gente ia visitar campo, então fui vestida com roupa de campo. Terrível engano, todo mundo muito elegante na Embrapa e eu lá, com o maior jeito de pobre. Aí nesse dia era aniversário da doutora Flávia, a galera do laboratório de entomologia tinha preparado uma festa surpresa pra ela. A Monica me apresentou pra todo mundo. Depois a doutora Flávia chegou, a gente cantou parabéns e depois eu fui apresentada a ela. A Monica disse que eu estava trabalhando com joaninhas, a doutora Flávia tinha algumas que ela estava pesquisando naquele momento. Ela se empolgou comigo e fomos ver a pesquisa dela. Eu me animei um pouco mais, ainda estava bastante preocupada com o que ia ser feito, não tinha nem a área ainda. Aí ela me perguntou se eu gostaria de estagiar com ela. Adorei, amei, agradeci aos céus e vi que definitivamente tem alguém que guia minha vida com um carinho enorme. Eu peno, peno, mas no fim todas as coisas que eu quero eu consigo. Sei lá, vai ver é pq eu não tenho grandes pretensões, não sei.
Escrito por raposa vira lata às 02h12 |