


Histórico:
-
19/12/2004
a
25/12/2004
-
12/12/2004
a
18/12/2004
-
28/11/2004
a
04/12/2004
-
21/11/2004
a
27/11/2004
-
14/11/2004
a
20/11/2004
-
07/11/2004
a
13/11/2004

Layout por:
Coveiro ¤X¤
http://lapide.zip.net
Eu sei mas não devia - Clarisse Lispector Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, se perde de si mesma.
Escrito por raposa vira lata às 07h52 Pra agradecer à altura e pra agradar meu amiguinho X, vejam o que ele escreveu sobre mim. O maior mico da minha vida. kkkkkkkkkkkk. lambidas aos bonzinhos e patadas para os ratos!
Escrito por raposa vira lata às 10h29 Lembranças do longo caminho atEo outro lado do mundo - bastidores 4
A Marisa começou a fazer as perguntas, pediu pra que eu explicasse a minha linha de pesquisa. Falei de uma forma bem segura, sobre o trabalho do XingEatEentão minha experiência por dois anos, ainda não tinha coletado os dados da suada tese do mestrado. Depois da minha explicação sobre caatinga e tudo mais, o consul perguntou se o que eu tinha aprendido sobre regiões áridas não se encaixaria melhor em alguma pesquisa no Iraque, por exemplo. Respondi educadamente que o que eu tinha aprendido poderia ser aplicado pra qualquer região e ecossistema, não ficando limitado ao semi-árido. Depois disso foi como se a tecla sap tivesse sido ativada e ele me perguntou se eu falava inglês. DaEpediu pra que eu explicasse coisas sobre Petrolina em inglês. O consul ficou satisfeito, e perguntou depois se eu falava japonês, num japonês muito rápido. Eu respondi certinho, disse que tinha algumas dificuldades em responder, mas que a compreensão era mais fácil. Depois disso ele se deu por satisfeito e me liberou. O resultado não iria sair naquele dia, ficou pra algumas semanas depois, por telefone. Na hora de ir embora, os dois garotos da graduação não sabiam onde era a rodoviária. Decidi levar os dois malucos atElE fomos de metrE No caminho, cada um foi me contando como tinha vindo, um mais louco que o outro. O cara de Salvador tinha vindo mais ou menos certo, pelo menos tinha escolhido qual hotel ia ficar, feito reserva. O cara do CearEfoi fazer a prova com mala e tudo, vindo direto da rodoviária. Ele nem sabia em que hotel ficar, tinha vindo na doida mesmo. AEo cara de Salvador levou ele pro mesmo hotel onde ele estava. Missão cumprida, fui embora pra casa, morta de cansada mas feliz por ter visto gente nova e bacana. Algumas semanas depois o resultado saiu, eu tinha passado e tinha que fazer uma bateria louca de exames. Exame de tudo, e eu sem dinheiro. Tinha duas semanas pra entregar a papelada. Fora isso, ainda não tinha carta de aceite do orientador, eu estava levando meu contato com ele com o maior cuidado do mundo.
Escrito por raposa vira lata às 23h35 Lembranças do longo caminho até o outro lado do mundo - bastidores 3 Um deles era bem calmo, o cara do ceará. O outro era atacado e elétrico, não parava de falar, estava deixando todo mundo nervoso. Eles foram os primeiros a serem entrevistados, essa dupla estava fazendo provas havia uma semana, concorrendo com eles mesmos, agora na última parte da maratona. Quando saíram, foram bombardeados por nós da pós, queríamos saber como seria a entrevista. Inglês, japonês, português? As 3 línguas! Uma verdadeira torre de babel, começando com português, passando ligeiramente pelo inglês e terminando na pergunta crucial, que definitivamente abre algumas portas: nihongo shaberimasuka? (vc fala japonês?). Eu fui a penúltima, arrancando os cabelos, morrendo de véspera como sempre, mas o clima tava tão bacana entre a gente, tirando um cara bem sério que estva aplicando pro doutorado que não quis conversa, as coisas estavam bem emocionantes. Chegou minha vez, a galera dando apoio, entrei acompanhando a simpática Marisa. Pela primeira vez vi o que estava por detrás da vidraça a prova de bala do consulado. Um monte de mesas, um escritório normal. Lá no fundo, uma sala, onde estavam o consul em pessoa e o vice-consul esperando a gente.
Escrito por raposa vira lata às 07h49 |