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Lembranças do longo caminho até o outro lado do mundo – bastidores 2

 

A prova foi no prédio do consulado, um empresarial chiquérrimo localizado ao lado do Shopping recife. Fui fazer a prova bem a vontade, de calça jeans e camiseta. Esse foi o primeiro dia, prova de japonês, três níveis. Primeiro nível, ok, lembrava da minha mãe conversando, aí marcava x na opção que soasse mais verdadeira como a que eu estava acostumada a ouvir em casa. Limpeza. A segunda foi meio problemática, dava pra entender mas era mais complexa, marcar x novamente. A terceira foi foda, 3 minutos depois tava todo mundo fora, ninguém se arriscou sequer a chutar, ia ficar feio. 

Segundo dia, prova de inglês de manhã e entevista a tarde. Fui arrumadinha, quando entro no salão do prédio, tomo um puta susto. Umas 30 pessoas, todas de terno e gravata e salto alto, muito bem vetidos. Tinham me avisado que na prova de inglês teria mais pessoas pq vc poderia optar em fazer a prova de japonês ou não. Como a maioria não sabia japonês eu esperava muito mais gente no segundo dia, mas não tão arrumados como aquele povo estava. Passado o choque, fui me sentar num sofá que estava vago. Um cara viu que eu estava indo pro outro lado, olhou, reparou que tinha vaga no sofá e desesperadamente saiu correndo pra se sentar. Mais chocada ainda, comecei a ficar nervosa. Acabei ligando pra Bruno nessa hora, a gente conversou um pouco até a hora em que de repente todo mundo começou a subir. Não era hora, estavam meia hora adiantados. Como aquele mundaréu estava se movendo, fui junto. O consulado fica no último andar desse prédio. Quando chegamos lá em cima, surpresa, só eu e um outro cara. Fomos perguntar à tia do consulado o que estava acontecendo e ela pediu que a gente esperasse na sala de conferências, onde estaria sendo a prova. Aquele povo todo era pra seleção de uma das companhias que ficam nesse mesmo prédio. Ufa! Fiz a prova,inglês chatinho, mas no mesmo estilo da prova do dia anterior, porém sendo só uma. Depois da prova conheci a Cícera, uma mulher de Garanhuns que estava tentando voltar ao Japão. Ela já tinha passado 2 anos lá, com outro tipo de bolsa, agora estava tentando pela última vez, por causa do limite de idade. Ficamos esperando o resultado de quem iria pra entrevista. Aí mandaram a gente ir embora e voltar mais tarde pra conferir o resultado. Fomos almoçar, eu e a Cícera. Depois do almoço a mulher do consulado me liga dizendo que eu passei e que a Cícera também, e que voltássemos de duas horas pra entrevista. Dos 15 candidatos, eles selecionaram 5. Chegamos mais cedo, e ficamos conversando com os outros. O clima estava super agradável, deu pra quebrar um pouco a ansiedade. Tinha 2 meninos que estavam tentando pra graduação.   

 



 Escrito por raposa vira lata às 05h30
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Lembranças do longo caminho até o outro lado do mundo – bastidores 1

 

Tudo começou em 2003, quando estava pra terminar meu amado curso de Ciências Biológicas. No meio disso tudo veio a sensação de gpo, estou crescendo, e com isso os problemas também!h O que fazer depois da graduação? Não tinha a menor idéia. Alguns amigos já estavam trabalhando, dando aulas em colégios, que acho que é a via mais rápida de se conseguir um emprego como recém formado em biologia. Mas, como eu digo sempre, ensinar é um dom que eu definitivamente não tenho, e a minha crise se agarrou na oportunidade de continuar estudando, fazer mestrado. Só que onde? Sem ter diploma ainda por causa do atraso no semestre causado pela greve, muitas universidades não estavam nem aceitando a inscrição para a prova do mestrado, fora o dinheiro curto. No meio disso tudo eu resolvi fazer o mestrado em Biologia Animal da UFPE e continuar na casa mesmo. No maior dos sufocos e sem muito apoio, eu e Tininha passamos com certo charme nessa prova, fazendo calar algumas más línguas. Depois dessa muvuca toda vieram promessas de bolsa, financiamento de projeto, tudo soava maravilhoso, até o meio do ano, quando as coisas desandaram e eu vi que era um bando de mentira. Desanimei, morguei mesmo. A tão prometida bolsa não saiu, o financiamento total de toda a minha coleta de campo de repente deixou de existir e eu me vi sem muita opção, estava a ponto de voltar pra Petrolina e tentar algo por lá mesmo, pelo menos não daria mais gastos. Aí minha mãe sugeriu que eu fosse dar uma olhada numa bolsa que o consulado japonês oferece todo ano. Já tinha ouvido falar nela, mas nunca tinha dado muita bola, todo mundo dizia que a prova era difícil, e eu nunca levei as aulas de japonês da minha mãe a sério, na verdade, tnha tomado um abuso pq ela sempre forçava a gente a estudar. Fui um dia lá, perguntar sobre isso, junto com o meu amigo Sérgio, desmiolado, ficou falando um monte de besteiras e me fez passar vergonha. Fora isso, desse dia é que veio o "raposa vira lata", pq quando perguntei sobre dupla nacionalidade, me responderam que eu não teria nunca. Mesmo toda a minha família tendo sangue japonês. Pareço cachorro sem pedigree, enfim, me deram os papéis, me disseram dia da prova, etc, etc, duma forma bem seca e fria... coisas de consulado, sei lá. No decorrer dos dias e das minhas insistentes visitas com dúvidas em como preencher a papelada, o pessoal foi tomando simpatia por mim e sendo mais caloroso. Ainda bem.

 Escrito por raposa vira lata às 03h57
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A partir de hj vou reconstruir as minhas histórias que foram enviadas por mail aos meu amigos no Brasil. Algumas são inéditas, outras nem tanto, algumas hilárias e outras meio borocoxos, mas sempre com um bom humor e muitos micos, centenas deles. Espero que vcs se divirtam tanto como eu estou me divertindo aqui, e que compartilhem comigo um pouco dessa aventura de estar morando num lugar tão longe e  tão diferente da terrinha. Lambidas a todos!



 Escrito por raposa vira lata às 00h46
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